23.2.13

Do outro lado

          para o Júlio Saraiva, no dia da sua morte


As palavras ficam mudas,
sustidas, quase abstractas,
graves, pesadas, sisudas,
magoadas, estupefactas,

as palavras que nos dão
a notícia inesperada,
palavras cuja aflição,
com a morte anunciada,

anoitecem, e confusas
não dizem coisa com coisa
(como se fossem intrusas)
porque o amigo repousa,

para sempre, do outro lado,
entre nós e o passado

Domingos da Mota

V. N. Gaia, 22.02.2013

4 comentários:

  1. Júlio Saraiva..."...para sempre, do outro lado,/entre nós e passado" a noticia que não gostei de ter dado.

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    1. Eduardo Saraiva,

      E, para mim, a notícia que não gostei de receber.
      Obrigado.

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  2. Apreciei muito a sua homenagem ao amigo e poeta Júlio Saraiva, do qual tive o privilégio de traduzir alguns poemas para o italiano. A notícia inesperada deixou-me sem palavras.

    Obrigada. Abraço,
    Manuela

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    1. Manuela,

      Uma péssima notícia. Bem gostaria de não ter feito este poema.
      Obrigado.
      Abraço.

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