6.7.17

Quarto de hotel

     a partir do poema diana no banho, de Vasco Graça Moura


O chape-chape
bem que se ouvia:
alvoroçado,
descompassado,
era, seria
talvez o banho
de quem no quarto
de banho ao lado
estivesse a arder
e se acalmasse
com água fria;
arrepiado,
sobreexcitado,
não era um baque,
era, diria,
banho gelado,
ao fim do dia.

Fosse Diana,
Sara ou Inês,
pelo ouvido,
um grito agudo
ou dois ou três,
digo, diria
que se banhava,
molhava tudo:
(como gemia).

Quem dera vê-la
nessa banheira.
Mas só podia
imaginá-la
em pêlo, nua,
branca ou trigueira,
em carne viva,
como se fosse
brasa contígua
do fogo erecto
que exasperado
subia ao tecto.

Domingos da Mota

PIOLHO  021 [REVISTA DE POESIA], Edições Mortas, Black Sun editores, Abril 2017

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